domingo, 3 de janeiro de 2010

Eis que faço nova todas as coisas Encontra a humanidade um momento de esperança

Já estamos vendo no horizonte o raiar de um Novo Ano. Às suas vésperas, celebramos a festa da Luz. Da Luz verdadeira que veio brilhar para nós, que vivíamos nas trevas da morte, como profetizou Isaías.

Como o sol, depois de mergulhar no solstício do inverno, retorna para iluminar a terra e dar-lhe o seu calor, assim irrompeu o Cristo em nosso meio. João Evangelista nos ensina que a Luz do Cristo espancou as trevas, que agarradas ao orgulho e ao pecado, não a quiseram receber. Mas a todos os que abriram os olhos ao seu fulgor, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

No esplendor destes dias, em que rememoramos o acontecimento histórico do nascimento de Cristo, a Vida e a Luz que nos foram dadas pela misericórdia divina e pelo "sim" generoso de Maria, também retomamos o tempo cíclico que, tendo sua origem nos anos eternos, continua seu curso nos dias, anos e estações, até a consumação do tempo.

Natal e Ano Novo. Nestes dois acontecimentos, encontra a humanidade um momento de esperança.

Para uns, apenas uma utopia que se esvai, como a fumaça dos fogos de artifício. Votos, muitos até poéticos, que se misturam na voragem dos dias e logo se perdem na impotência humana de sua realização, na prepotência dos mais fortes, na cobiça, no roubo e na violência, na miséria que transparece a cada dia.

São votos que não nascem do coração, muitos fingidos e que expressam um relacionamento interesseiro. Os presentes, de valores altíssimos, nada mais querem senão manter os negócios. As gratificações, como foram reveladas na recente crise econômica, são um insulto à justiça.

Para estes, se patenteia a palavra do Evangelista: "A Luz estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu e os seus não o receberam" (Jo 1, 10-11)

Para nós, porém, que nos abrimos à Luz e acolhemos a bondade de Deus que veio até nós, na simplicidade de um Menino, como para os Magos, brilha a Estrela da esperança:"Vimos sua estrela no oriente e viemos homenageá-lo" (Mt. 2, 2 e 9).

Os nossos votos têm fundamento. Pela fé, temos a certeza de um mundo novo, de paz e de amor, para o qual, guiados pela Estrela devemos caminhar

Nossos desejos expressam que cremos na vitória da Luz, a vitória de Cristo.

Vamos nos saudar no início deste Novo Ano, expressando o amor e a caridade que já nos unem, embora ainda na fragilidade dos dias terrenos.

Iluminados pela Luz d'Aquele que é, que era e que será, do Princípio e o Fim de todas as coisas, aspiramos construir uma nova terra e um novo céu, a tenda de Deus com os homens, onde se realizará nossa esperança. Pela força da graça, venceremos.

Sabemos que ainda temos muita luta, pois o poder das trevas quer a todo o custo, impedir a vinda do Reino. Mas a fé no Filho que nos foi dado, mostra-nos o poder de Deus que destrói a astúcia dos Herodes de todas as épocas e nos conduz a Belém, a casa do pão, a Jerusalém celeste, onde “as coisas antigas se foram” (Apoc. 21,4).

Caminhemos, pois, à luz da Estrela e que nossos votos de um Ano Novo augurem a felicidade de estarmos construindo o Reino daquele que faz novas todas as coisas.

Dom Eurico dos Santos Veloso

É bom fazer promessas? As promessas não obrigam Deus a nos dar o que Ele não quer





As pessoas perguntam: O que a Igreja diz sobre as promessas? A Igreja as aprova quando realizadas adequadamente. Os santos faziam promessas. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que: “Em várias circunstâncias o cristão é convidado a fazer promessas a Deus... Por devoção pessoal o cristão pode também prometer a Deus este ou aquele ato, oração, esmola, peregrinação, etc. A fidelidade às promessas feitas a Deus é uma manifestação do respeito devido à majestade divina e do amor para com o Deus fiel” (CIC § 2101).

Há passagens bíblicas que contêm promessas. Jacó faz uma promessa a Deus: “Jacó fez então este voto: “Se Deus for comigo, se ele me guardar durante esta viagem que empreendi, e me der pão para comer e roupa para vestir, e me fizer voltar em paz casa paterna, então o Senhor será o meu Deus. Esta pedra da qual fiz uma estela será uma casa de Deus, e pagarei o dízimo de tudo o que me derdes” (Gn 28,20-22).

Ana, a mãe do profeta Samuel, fez um voto: “E fez um voto, dizendo: Senhor dos exércitos, se vos dignardes olhar para a aflição de vossa serva, e vos lembrardes de mim; se não vos esquecerdes de vossa escrava e lhe derdes um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor durante todos os dias de sua vida, e a navalha não passará pela sua cabeça” (1Sm 1,11).

Alguns salmos exprimem os votos ou as promessas dos orantes de Israel (Sl 65, 66, 116; Jn 2,3-9).

“Se oferecerdes ao Senhor alguma oferenda de combustão, holocausto ou sacrifício, em cumprimento de um voto especial ou como oferta espontânea...” (Nm 15,3).

“Se uma mulher fizer um voto ao Senhor ou se impuser uma obrigação na casa de seu pai, durante a sua juventude, os seus votos serão válidos, sejam eles quais forem. Se o pai tiver conhecimento do voto ou da obrigação que se impôs a si mesma será válida. Mas, se o pai os desaprovar, no dia em que deles tiver conhecimento, todos os seus votos... ficarão sem valor algum. O Senhor perdoar-lhe-á, porque seu pai se opôs” (Nm 30,4-6).

No entanto, havia a séria recomendação para que se cumprisse o voto ou a promessa feita. “Mais vale não fazer voto, que prometer e não ser fiel à promessa” (Ecl 5,4). São Paulo quis submeter-se às obrigações do voto do nazireato: “Paulo permaneceu ali (em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porém, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto” (At 18,18).

“Disseram os judeus a Paulo: “Temos aqui quatro homens que fizeram um voto... Purificar-te com eles, e encarrega-te das despesas para que possam mandar rapar a cabeça. Assim todos saberão que são falsas as notícias a teu respeito, e que te comportas como observante da Lei” (At 21, 23s).

É certo que as promessas não obrigam Deus a nos dar o que Ele não quer dar, pois sabe o que é melhor para nós, mas estas podem obter do Senhor, muitas vezes através da intercessão dos santos, graças de que necessitamos. Jesus mandou pedir e com insistência.

As promessas nada têm de mágico ou de mecânico, nem podem ser um “comércio” com Deus; pois não se destinam a “dobrar a vontade do Senhor. Às vezes os fiéis prometem até coisas que não conseguem cumprir por falta de condições físicas, psíquicas ou financeiras, e ficam com medo de um castigo de Deus Pai. Pior ainda quando alguém faz uma promessa para que outro a cumpra, sem o seu consentimento. Os pais não devem fazer promessas para os filhos cumprirem.

Ao determinar que nos daria as graças necessárias nesta vida, o Todo-poderoso quis incluir no Seu desígnio a nossa colaboração mediante a oração, o sacrifício, a caridade, etc. Deus quer dar levando em conta as orações que Lhe fazemos. Sob esta ótica, as promessas têm valor para Deus e para nós orantes, pois alimentam em nós o fervor; estimulam nossa devoção; exercitam em nosso coração o amor a Deus; e isso é valioso. Uma promessa bem feita pode nos abrir mais à misericórdia do Senhor.

Quando não se puder cumprir uma promessa feita a Deus, procure um sacerdote e peça-lhe que troque a matéria da promessa. Essa solução está de acordo com os textos bíblicos que preveem a possibilidade da mudança dos votos (ou promessas) por parte dos sacerdotes: “Se aquele que fizer um voto não puder pagar a avaliação, apresentará a pessoa diante do sacerdote e este fixá-la-á; o valor será fixado pelo sacerdote de acordo com os meios de quem fizer voto” (Lv 27, 8; cf. Lv 27,13s.18.23).

Procure prometer práticas não somente razoáveis, mas também úteis à santificação do próprio sujeito ou ao bem do próximo. Quanto aos ex-votos (cabeças, braços, pernas... de cera), que se oferecem em determinados santuários, diz Dom Estevão Bettencout que “podem ter seu significado, pois contribuem para testemunhar a misericórdia de Deus derramada sobre as pessoas agraciadas; assim levarão o povo de Deus a glorificar o Senhor; mas é preciso que as pessoas agraciadas saibam por que oferecem tais objetos de cera, e não o façam por rotina ou de maneira inconsciente” (PR, Nº 262 – Ano 1982 – Pág. 202).

Entre as melhores promessas estão as três clássicas que o próprio Jesus propôs: a oração, a esmola e o jejum (cf. Mt 6,1-18). A Santa Missa é o centro e o alimento por excelência da vida cristã. A esmola "encobre uma multidão dos pecados” (cf. 1Pd 4,8; Tg 5,20; Pr 10,12); o jejum e a mortificação purificam e libertam das paixões o ser humano. Jesus disse que certos males só podem ser eliminados pelo jejum e pela oração.

Se a prática das promessas levar o cristão ao exercício dessas boas obras, então é salutar. As promessas nada têm a ver com as “obrigações” dos cultos afro-brasileiros, mas são expressões do amor filial dos cristãos a Deus.

Espere em Deus

O desespero opõe-se a bondade de Deus e a sua justiça, porque o Senhor é fiel em suas promessas.

Não perca a esperança, se a Canção Nova não se apoiasse na virtude da esperança, mês a mês iriamos nos desesperar, mas esperamos o ano inteiro para fechar a campanha, e mês a mês afirmamos para o mundo mesmo sem fechar a campanha que alcansaremos o 100%, não somos de perder o ânimo para a nossa ruina.


'O desespero é o pecado contra a virtude da esperança', isso nos diz o catecismo.

Tem hora que o desespero bate, bate, mas ai precisamos nos lançar em Deus. Acreditando que Jesus preparou o vinho melhor para depois, imagine aquele casamento que o vinho acabou, mas sem desespero os serventes obedece a Virgem. E alegria daquele casamento foi completa, porque não perderam a esperança.

O melhor de Deus está preparado para mim e para você e ainda vai se manifestar. Deus tem no céu reservátorio de graça para você. Alimente em seu coração a virtude da esperançã, porque se não você irá até o Senhor com dúvidas.

O evangeloho nos conta da mulher que sangrava e tocando em Jesus recebeu sua cura, pois ela não estava com o seu coração desperado, mas com o coração esperançoso, cheio de fé. E tocando Jesus, Jesus sentiu e perguntou quem me tocou? Porque era um toque diferente.

Espere em Deus os milagres, não perca a esperança.

Hoje não me desespero mais com a minha família que não é toda convertida, mas eu acredito que toda minha família será salva, mesmo contemplando o que eles vivem. Vivo com esta esperança que não me faz desanimar.

Deus está trabalhando na sua salvação e na dos seus. Muitos voltaram atrás porque perderam a virtude da esperança.

Dois anos morando na cidade de São Paulo, eu dizia ao grupo de jovens que assumir que não queria salvar alguns jovens, mas queria salvar a todos de São Paulo. Essa era a minha esperança.

Quando você perder a esperança, você vai desistir do seu casamento e da realidade que você vive. Acredite que 2010 será diferente.

O choro pode durar uma noite, mas alegria vem pela manhã. Tudo passa.

'Não queira fazer as coisas no seu tempo, pois você pode estragar tudo. Espera no Senhor e Ele tudo fará!'

Deus pode até tardar ao seu parecer, mas Ele não falha, na hora certa Ele agi. Se seu medo é a sua família não entre no céu, saiba que na hora de Deus a sua salvação chegará a sua casa, se eles não entrarem por esforço pessoal, você vai arrasta-los por causa da sua fé.

Precisamos viver em função de uma esperança, que é a esperança da vinda Gloriosa de Jesus. Se perdemos a esperança voltamos atrás e passamos fazer o que o diabo quer.
Há tantas pessoas que não comtlemplaram o milagrem, e volta atrás, mas se Deus está nos fazendo esperar, é para o nosso bem, porque Ele sabe o melhor, ele sabe o melhor tempo.

Não percam a esperança, acredite! Em Deus temos tudo!

O salmo 23 diz 'O Senhor é o meu pastor e nada me faltará', e se te falta algo, talvez porque o Senhor não tem sido o seu Senhor. Seja uma ovelha dócil, deixe Deus te conduzir, para que você não venha peder aquilo que Deus já preparou para você. Se você deixar Jesus ser pastor, Ele mesmo te dará a paz e o necessério. Não queira apressar o tempo de Deus.

Espera no Senhor. Não é no seu tempo, é no tempo de de Deus que as coisas se realizará. Não queira fazer as coisas no seu tempo, pois você pode estragar tudo. Espera no Senhor e Ele tudo fará!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Advento: O mundo inteiro espera a resposta de Maria




Ouviste ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem – tu ouviste – mas do Espírito Santo. O Anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia.

Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.

Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado aos teus pés.

E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.

Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e concebe a Palavra de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.

Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.

Abre ó Virgem santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah! Se tardas e ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas aquele que teu coração ama! Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (cf. Lc 1,38).

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Amor do Jovem à Igreja



É dever de todo jovem católico amar a Igreja profundamente. Ela é o meio que Deus Pai escolheu para salvar- nos, depois que o pecado entrou em nossa História. É o corpo Místico do seu Filho, no qual Ele nos reúne como uma só família de Deus. O Concílio Vaticano II nos ensina que: “A Igreja é, em Cristo, como que o sacramento ou o sinal e instrumento da íntima reunião com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (LG,1). “Ela é o instrumento da Redenção de todos os homens” (LG,9), “sacramento universal da salvação”, pelo qual Cristo “manifesta e atualiza o amor de Deus pelos homens”. “Ela é o projeto visível do amor de Deus pela humanidade”, disse o Papa Paulo VI.



Para mostrar - nos toda a sua importância, o Catecismo da Igreja diz que ela é: a reação de Deus ao caos provocado pelo pecado (CIC,761). É o instrumento de Deus para destruir todo pecado e todo o mal e trazer toda a humanidade para Deus. A Igreja é a nossa Mãe; é através dela que renascemos para Deus, através do Batismo; por isso, deve ser conhecida, amada, respeitada, obedecida e defendida.



Só ela perdoa os nossos pecados. É ela, e, somente ela, que nos dá o Corpo e o Sangue do Senhor na Sagrada Eucaristia, para remédio e sustento de nossas forças. É ela que nos dá a efusão do Espírito Santo pela Crisma. É ela que transforma em sacramento e benção a nossa união conjugal; é ela, e somente ela, que nos dá os sacerdotes; é ela que, enfim, nos unge no leito da dor e da morte. É ela que nos levará ao céu; e é por ela que viveremos a eternidade em Deus. Ela é a Noiva do Cordeiro. Quem a rejeita, conscientemente, rejeita a própria salvação e o próprio Deus que a instituiu, diz o Catecismo: “Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, [o Concílio] ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único mediador e caminho da salvação é Cristo, que se nos torna presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ele, porém, inculcando com palavras expressas a necessidade da fé e do batismo, ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como que por uma porta. Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem entrar nela, ou então perseverar (CIC n.846).



Declarou certa vez o Papa Paulo VI: “Quem não ama a Igreja, não ama Jesus Cristo”. E amá-la implica em conhecê-la, respeitá-la, obedecê-la, servi-la, e dar a vida por ela.



Santa Joana D’Arc disse a seus juízes: “Quanto a Jesus e à Igreja, parece-me que são uma só coisa, e que não há questionamento sobre isso”.



Todos os santos e santas amaram a Igreja com um amor imenso, dedicando a ela toda a sua vida. Santa Tereza de Ávila, no seu Caminho de Perfeição, diz: “Procurai a limpeza de consciência e humildade, desprezo de todas as coisas do mundo e fé inabalável no que ensina a santa Madre Igreja” ( Ed. Paulinas, 2. ed., pag 129,1979, SP ).



A Igreja é a Esposa de Cristo, e por ela, Ele derramou o seu Sangue (Ef 5,26).



Os Santos Padres gostavam de compará-la à Arca de Noé, a única que salva do dilúvio (1Pe 3,20´21). Nela vive o Senhor. Ela é a nossa garantia de paz, verdade e salvação. Infelizmente essa boa Mãe é tantas vezes mau amada por muitos dos seus filhos. Muitos não a conhecem, e por isso não a amam. A desprezam, a criticam, a ofendem, sem perceber que estão ofendendo e magoando “o próprio Jesus”. A Igreja é divina e humana, por isso é santa, embora formada por pecadores; mas invencível e infalível quando ensina a fé e a moral, pois tem a assistência do próprio Senhor que nela vive continuamente.



“Eis que estarei convosco todos os dias...“ Não nos desesperemos e nem desanimemos com os erros e com os pecados dos seus membros; por mais que eles sejam abundantes não conseguirão afundar a barca de Pedro, que recebeu do Senhor a garantia de que as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela. A parte humana, que somos nós, sempre será falha, mas a sua alma, o Espírito Santo, jamais permitirá que ela erre o seu caminho. Jesus lhe prometeu, antes de sofrer a Paixão: Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não a podeis suportar agora. Mas quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos á toda a verdade...´(Jo16,12). Pode haver garantia maior do que essa? Se o Espírito Santo foi prometido, e dado, por Jesus para guiar a Sua Igreja, como, então, ela poderia errar o caminho da Salvação? Antes de pensar que a Igreja poderia ter errado o caminho da fé, seria preciso aceitar que as promessas que Ele fez à Igreja não se cumpriram, ou que Ele mentiu para os seus apóstolos na última Ceia. Mas isto jamais! Jesus não pode errar porque é Deus. Desde Pedro a Igreja já teve 265 Papas, enfrentou até aqui 2000 anos de perseguições, heresias e outros tantos perigos que somente uma instituição divina poderia resistir. Esta é a maior prova. Se nem os pecados dos seus filhos: leigos, padres, bispos e papas, a destruíram, é porque, de fato, ela é divina.



Um exemplo maravilhoso de amor à Igreja, dado em nossos tempos, foi o de Monsenhor Ignatius Ong Pin´Mei, Bispo de Shangai, no dia seguinte de sua libertação, depois de passar trinta longos anos nos cárceres da China comunista, por amor a Cristo e à Igreja Católica. Assim se expressou:



“Eu fiquei fiel à Igreja Católica Romana. Trinta anos de prisão não me mudaram. Eu guardei a fé. Eu estou pronto amanhã a voltar novamente à prisão para defender minha fé” (PR). Que estas palavras sirvam de estímulo para aqueles católicos de pouca convicção, que por qualquer erro dos homens da Igreja, já querem abandoná-la ou desprezá-la.



Que sirvam também àqueles que, conhecendo o ensinamento da Igreja sobre os assuntos da fé e da moral, no entanto, preferem seguir a própria consciência, ao invés de seguir aquilo que ensina a Igreja, com a assistência do Espírito Santo. Ele mesmo é a Memória viva da Igreja.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Um verdadeiro cristão deve ser cheio do Espírito Santo



Assim relata o Evangelho de João: “No dia seguinte, vendo Jesus vir a ele, disse: 'Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: 'Após mim vem um homem que me precedeu, porque antes de mim ele era'. Eu mesmo não o conhecia, mas foi em vista da sua manifestação a Israel que eu vim batizar na água'. E João deu o seu testemunho, dizendo: 'Eu vi o Espírito, como uma pomba, descer do céu e permanecer sobre ele. Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar na água foi quem me disse: 'Aquele sobre o qual vires o Espírito descer e permanecer sobre ele, é ele que batiza no Espírito Santo'. E eu vi e atesto que ele é o Filho de Deus'” (Jo 1,29-34).

Essa é a linda realidade: Jesus, o Filho de Deus feito homem, é cheio do Espírito Santo. São os mistérios de Deus. É possível que não compreendamos por que é necessário ser cheio do Espírito Santo. A resposta é: essa é única maneira de trilhar os caminhos de Deus, de realizar a vontade do Pai e dirigir-se para a vida eterna. O Pai quis que Seu Filho Jesus, feito homem, recebesse o derramamento do Espírito, ficasse cheio do mesmo Espírito Santo e se manifestasse assim ao mundo.

O poder da Palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo não era só d'Ele, de Sua sabedoria, de Seu conhecimento; não era apenas resultado de Sua instituição. Era muito mais do que isso: Jesus estava cheio do Espírito Santo.

Quando Ele falava, era o Espírito Santo falando n' Ele. Quando trazia a Palavra do Pai, era o Espírito Santo quem falava pelos lábios de Cristo Jesus. Todos se admiravam e diziam que nunca tinham ouvido aquilo. O Senhor falava com autoridade, não a de quem impunha alguma coisa, mas com autoridade tranquila. A palavra d'Ele calava fundo nas pessoas e as transformava.

Jesus fez coisas maravilhosas: ressuscitou mortos, curou leprosos e outros inúmeros doentes: inclusive de males humanamente impossíveis de ser curados... Ele era um homem de poderes especiais? Não. O poder que operava em Jesus era o do Espírito Santo.

Quando Jesus se dirigia a um doente dizendo: “Sê curado!”, o que agia n'Ele era o poder do Divino Espírito Santo. O cego voltava a ver; o surdo, a ouvir; aquela mulher que tinha um fluxo de sangue durante anos foi curada imediatamente; os leprosos ficaram totalmente limpos. Mas por que tudo isso? Porque agia em Cristo o poder do Espírito Santo.

Quando Jesus disse a Lázaro: “Vem para fora!”; da mesma forma, quando disse para aquela menina: “Talitá, qum”; assim como quando disse ao filho da viúva de Naim que levantasse e voltasse à vida, o que agia n'Ele era o poder da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Quem curava, ressuscitava, transformava a água em vinho, multiplicava os pães, acalmava a tempestade, expulsava os demônios era o Espírito Santo. Jesus era o instrumento cheio de fé que se deixou usar pelo Espírito. Por meio d'Ele fluía o poder do Espírito.

Também no comum de Sua vida, Jesus Cristo era um instrumento do Espírito Santo. Ele amava, mas Seu amor humano era plenificado pelo Espírito Santo. Por isso as pessoas eram tocadas, consoladas, transformadas pelo olhar e pelo sorriso do Senhor.

Veja como Maria Madalena foi atraída por Ele: como se deixou tocar e como se transformou! As crianças sentiam atração por Ele. Até mesmo os pecadores, diante d' Ele, se rendiam. Isso porque se manifestava em Jesus não apenas Sua misericórdia, que não era apenas a misericórdia d'Ele, mas também a misericórdia do Espírito Santo, que se manifestava em Cristo e tocava as pessoas.

Jesus foi aquele que em tudo foi cheio do Espírito Santo. Sabe por que o Pai quis assim? Porque Jesus foi o modelo de homem novo que Deus Pai quis apresentar. A única maneira de ser verdadeiramente cristão, quer dizer, um outro Cristo, um continuador de Jesus, é ser cheio do Espírito Santo, como Ele o foi. Não apenas fazer coisas extraordinárias, mas até mesmo para fazer as coisas ordinárias, comuns de sua vida, você precisa ser cheio do Divino Espírito Santo.

Todos precisamos de amor. O amor é que vai nos transformar. Precisamos nos sentir amados, queridos, acolhidos. Você cristão é chamado a fazer isso. Mas só com seu amor humano isso não será possível. Você precisa do Paráclito para amar, para ser bondoso, delicado, paciente, para atrair as pessoas por meio do amor de Jesus que está em você.

As pessoas precisam de misericórdia, de perdão. Precisam se sentir acolhidas, aceitas com suas falhas, com seus defeitos, com seu pecado. Jesus continua sendo cheio de misericórdia. Você levará a todos essa misericórdia, esse amor, esse perdão de Jesus pelo poder do Espírito Santo, que está em você.

Todos precisamos estar cheios do Espírito Santo. Jesus o convida para ser instrumento do Espírito. Os pais precisam d'Ele [Espírito Santo] para educar os filhos. Da mesma forma, você precisa d'Ele para agir com as pessoas com quem vive, com quem trabalha. Assim como marido e mulher precisam estar cheios d'Ele para se tratarem como cristãos.

As coisas extraordinárias virão depois. Também o poder dos milagres vai acontecer. Mas até nas coisas normais do dia a dia você precisa ser uma pessoa cheia do Espírito Santo. É por isso que, diariamente, devemos dizer:

Vinde! Vinde, Espírito Santo! Preciso de Ti; preciso ser cheio do Espírito Santo como Jesus foi. Vinde, Vinde, Espírito Santo!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Advento: A Alegre espera por Cristo

O tempo do advento, que na liturgia da Igreja, indica o tempo de preparação para a recordação do nascimento de Jesus Cristo, é o momento propício para uma completa revisão de nossa vida, confrontando-a com a mensagem do Evangelho.

O Natal, assim, não pode ser, apenas, uma festa capitalista do consumo, pois, a singeleza do presépio fala muito mais de pobreza, doação, renuncia e compromisso com tudo o que a pessoa de Jesus Cristo significa.

Então, assim pensando, o Natal é tempo de reconciliação, consigo mesmo, frente aos valores evangélicos, acaso esquecidos e com os irmãos, tempo de perdão, paz, fraternidade, solidariedade.

Perdoar não é fácil, mas, contudo, é necessário, pois o perdão beneficia a quem perdoa. O perdoado, muitas vezes está dançando e cantando na vida e sequer lembra-se daquele que dele guarda rancor e mágoa.

Lembremo-nos que Jesus Cristo no suplício da cruz, a mais cruel e dolorosa das penas capitais, perdoou carinhosamente aqueles que nela o pregaram e amar aqueles que não nos são agradáveis, é um mandamento do Senhor: amai vossos inimigos, rezai por aqueles que vos perseguem.

Não se pense, todavia, que essa reconciliação deva existir, apenas na época do Natal, mas deve ser marco inicial de uma caminhada, pois importante é dar os primeiros passos e, para isso, a época é muito propícia.

No tempo de Natal, a figura de João Batista assume uma proeminência muito grande, porque ele é o profeta que, no tempo propício, veio preparar a vinda próxima do Salvador.

João Batista é uma pessoa austera que pregou a conversão do coração como meio mais adequado para a vinda próxima do Senhor.

O precursor, João Batista apresenta sua pregação com imagens simbólicas, com lastro no profeta Isaias: preparai os caminhos do Senhor, endireitai as veredas para ele. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas, as passagens tortuosas serão endireitadas e os caminhos esburacados, aplainados e todos verão a salvação que vem de Deus.

Essa simbologia traz uma verdade bem mais profunda: devemos preparar os caminhos de nosso coração para o Senhor que vêm na pessoa do menino Jesus, abandonando toda forma de egoísmo e tornando nosso coração manso e humilde. Produzi frutos que mostrem a vossa conversão, diz João Batista, e não começais a dizer a vós mesmos, continua ele: Nosso Pai é Abraão... Toda árvore que não der bom fruto será cortada.

João Batista prega a conversão do coração, através da mudança dos critérios usuais: aquele que tem duas túnicas dê uma ao que não tem; os cobradores de impostos, tidos na época como pecadores, pois estavam a serviço do poder romano, que cobrem, apenas, o que for justo; os soldados, que não exijam dinheiro a força dos cidadãos, nem façam acusações mentirosas.

Nós, cristãos, precisamos, urgentemente, restaurar o sentido evangélico do Natal, o qual não pode converter-se, tão somente, na festa capitalista das compras desenfreadas, pois, o menino Jesus nasceu pobre, sem um local apropriado para nascer e sua presença entre nós é motivo de alegria, mas, principalmente, de tomada de consciência para adotarmos novos critérios de vida.

Desejo que os meus leitores possam comungar com o Beato Charles de Foucauld no apelo que faz para que sermos “ Pobre com Jesus” e desta forma buscar no Natal uma nova fonte de critérios de vida: “Desde o seu nascimento, ele continua a nos instruir por seu exemplo e a nos pregar a pobreza, a extrema humildade, o sofrimento (...) como apareceu como o último operário (...) (eu devo) ser tão pequeno quanto meu Mestre, para estar com ele, para caminhar atrás dele, passo a passo, como doméstico fiel, discípulo fiel... irmão fiel.”“Tenhamos como Jesus essa pobreza que consiste em viver como os pobres, em não ter como habitação, alimento, vestimenta e bens materiais de todo tipo mais do que o necessário, como têm os pobres. Tenhamos uma pobreza que não seja convencional, mas a pobreza dos pobres.” (Confira 15 dias de Oração com Charles de Foucauld – Michel Lafon – Paulinas – Pag.35 e 37).

Bem, o que propomos não é fácil, mas ele, Jesus Cristo, disse: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.” “Felizes os pobres, porque deles é o reino dos céus.”

Por isso nesse tempo forte do Advento procuremos o sacramento da penitência, com reta intenção de não mais pecar, procurando a reconciliação com Deus, com a comunidade eclesial e com os irmãos e irmãos. Assim estaremos prontos para Alegrarmos com a chegada do Salvador, que será Natal para cada um de nós!

Advento

Alegria, espera e preparação para o Natal e para a segunda vinda do SenhorA+A-Todos os anos, a liturgia nos proporciona quatro semanas de alegria, espera e preparação para o Natal e para a realidade certa da segunda vinda do Senhor. Ainda há tempo para nos reconciliar com Deus e com os irmãos, para que, quando Cristo voltar, nos encontre merecedores de Sua salvação.


Advento: tempo de conversão!

A palavra "advento" significa literalmente "vinda, chegada". O período do Advento abrange os quatro últimos domingos antes do Natal, que dão início ao ano litúrgico.

É um tempo de: alegria, espera e preparação pela celebração do Nascimento do Senhor, mas também pela sua vinda gloriosa!


O tempo da alegria antecipada

"O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. s" (Is 9.2-3).

"Alegrai-vos no Senhor, e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração" (Sl 32.11)


O tempo da espera

"Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo". (Fl 3,20)

"Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tt 2,13)

"Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça" (2 Pe 3,13).


O tempo da preparação

"Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá" (Lc 12.37).